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“Sigo líder do governo e candidato ao Senado”, diz Wagner após denúncias

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta-feira (18) que permanecerá na liderança do governo no Senado até eventual decisão em contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que manterá sua candidatura à reeleição ao Senado em 2026. O parlamentar também disse ter recebido uma ligação do presidente em solidariedade após ser alvo de uma operação da Polícia Federal.

Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma investigação que apura suspeitas de que ele teria recebido recursos para favorecer interesses ligados ao Banco Master.

“Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, disse em entrevista à BandNews.

Segundo o senador, Lula manifestou apoio após a operação. “O presidente Lula me ligou para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança, a gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe qual é o meu jeito de agir. (…) Ele só ligou para dizer: ‘fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’. O que eu tenho até agora do presidente Lula é a solidariedade pelo ocorrido.”

Wagner também afirmou que pretende disputar a reeleição ao Senado em 2026. “Minha candidatura ao Senado está absolutamente mantida”, declarou.

Dinheiro apreendido

Sobre os valores encontrados durante a operação, o senador afirmou que o dinheiro corresponde ao recebimento de diárias acumuladas ao longo de viagens realizadas no exercício do mandato parlamentar. “Os envelopes eram envelopes com timbre do Senado Federal”, afirmou. Segundo Wagner, ele recebeu cerca de US$ 70 mil em diárias entre 2019 e este ano.

Apartamento

O senador também negou irregularidades relacionadas à aquisição de um apartamento citada na investigação. Segundo ele, o imóvel seria destinado à filha e ainda está em fase de construção. De acordo com Wagner, o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, realizou inicialmente a compra do imóvel, com o compromisso de que ele o recompraria posteriormente.

“Sobre o apartamento, na verdade, é um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: ‘Pode comprar? Depois eu vou recomprar.’ Então, não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim. Eu não tenho, vou repetir, nenhum negócio com o Master ou com o CredCesta.”

Relação com o Banco Master

Durante a entrevista, Wagner negou ter recebido recursos do Banco Master ou de Augusto Lima.“Nunca recebi de dinheiro de ninguém, muito menos do Master e do Augusto Lima”. O senador também procurou minimizar sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo ele, os dois tiveram contato apenas em duas ocasiões.

A primeira ocorreu quando Vorcaro se apresentou após se tornar sócio de Augusto Lima. A segunda aconteceu quando o banqueiro buscava um profissional para prestar consultoria jurídica ao banco. De acordo com Wagner, foi nesse contexto que ele indicou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski. “Minha relação com Vorcaro é praticamente zero”, afirmou. “Estive com Vorcaro duas vezes.”

Operação

Ao comentar a ação da Polícia Federal, o senador afirmou respeitar a atuação dos órgãos responsáveis pela investigação, embora considere a medida desproporcional. “Pessoas com muitos mais milhões não tiveram busca e apreensão, mas respeito a Polícia Federal e o ministro André Mendonça”, disse.

*metro1

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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