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Na decisão da Copa do Nordeste, Vitória busca reação diante do Fortaleza para largar na frente

O Vitória deu um passo importante para voltar a conquistar a Copa do Nordeste após 16 anos. Ao vencer o Fortaleza por 2×1, de virada, na noite desta terça-feira (2), no Castelão, pelo jogo de ida da final da competição regional, o Rubro-Negro abriu vantagem na disputa e agora decidirá o título diante da sua torcida, no Barradão.

Depois de um primeiro tempo de baixo nível técnico, o Fortaleza saiu na frente logo nos minutos iniciais da etapa final com Vitinho. O Leão da Barra sentiu o golpe, mas voltou para o jogo após a expulsão de Ronald, do Fortaleza. Com um jogador a mais, a equipe comandada por Jair Ventura cresceu na reta final da partida e buscou a virada com um pênalti convertido por Renato Kayzer e um golaço de Tarzia já nos acréscimos.

Agora, o Vitória joga pelo empate no confronto de volta, marcado para este sábado (6), para conquistar a Copa do Nordeste pela sexta vez, de acordo com sua própria contagem, ou pela quinta considerando apenas os títulos reconhecidos pela CBF. Já o Fortaleza precisa vencer por um gol de diferença para levar a decisão para os pênaltis.

O JOGO

Embalado pelo

apoio

da torcida no Castelão, o Fortaleza iniciou a partida com as linhas adiantadas e tentando se impor diante do Vitória. Embora o time baiano tenha encontrado dificuldades para sair jogando nos primeiros minutos por conta da pressão dos donos da casa, logo conseguiu se ajustar, equilibrar as ações e até criar as primeiras oportunidades claras do confronto.

Aos 17 minutos, após cobrança de escanteio de Erick, Cacá desviou na primeira trave e a bola sobrou para Edenílson, que bateu firme para grande defesa de João Ricardo. No rebote, foi a vez de Zé Vitor, quase sem ângulo, soltar outro chute forte e obrigar o goleiro do Leão do Pici a fazer mais uma intervenção à queima-roupa.

Depois dessa chegada do Rubro-Negro baiano, porém, a partida entrou em um período pouco agradável para quem acompanhava das arquibancadas ou pela televisão. As duas equipes acumulavam erros de passe, falhas nos domínios e abusavam das ligações diretas, raramente conseguindo trocar três passes seguidos com qualidade.

Se a bola não circulava com eficiência, a dividida corria solta. O juizão precisou recorrer ao cartão amarelo algumas vezes para tentar controlar os ânimos. Os argentinos Brítez e Martínez protagonizaram os momentos mais chamativos desse capítulo. Primeiro, o volante do Vitória acertou uma mãozada no rosto do defensor tricolor. Pouco depois, o zagueiro do Fortaleza devolveu a gentileza com uma cotovelada no compatriota.

As jogadas de qualidade que resultaram em boas oportunidades só voltaram a aparecer na reta final da primeira etapa. Aos 38 minutos, Mucuri fez boa jogada pela esquerda, deixou Erick na saudade duas vezes e finalizou travado. A bola sobrou para Vitinho, que bateu para o gol, contou com um desvio no caminho e viu a finalização passar com perigo.

Nos minutos finais do primeiro tempo, o Vitória voltou a assumir o protagonismo e acumulou chances para abrir o placar. Já nos acréscimos, Matheuzinho fez boa jogada pela esquerda e bateu de direita para mais uma defesa de João Ricardo. Na sequência, Erick aproveitou o rebote e encontrou Martínez, que finalizou da entrada da área e tirou tinta da trave.

Ainda houve tempo para mais uma oportunidade antes do intervalo. No último lance da etapa inicial, Renê puxou um contra-ataque em velocidade e bateu rasteiro, exigindo outra boa defesa do goleiro do Fortaleza, que terminou os primeiros 45 minutos como um dos principais personagens da partida.

Na volta do intervalo, Jair Ventura foi obrigado a sacar Caíque. O volante, que já havia sentido dores nas costas nos primeiros minutos da partida, chegou a tomar uma injeção para continuar em campo, mas não resistiu e acabou substituído por Jamerson. Com isso, o recém-chegado foi improvisado na lateral direita, enquanto Edenílson deixou a função na defesa para atuar como primeiro volante.

A princípio, a mudança não teve grande impacto no panorama da partida. O jogo seguiu equilibrado e nivelado por baixo. Mas tudo mudou aos nove minutos, em um raro lampejo de qualidade do Fortaleza, facilitado por uma falha de posicionamento de Edenílson em sua nova função. O volante não protegeu a entrada da área, deixou espaço para Vitinho receber com liberdade e o atacante não perdoou. O chute rasteiro ainda beijou a trave antes de morrer no fundo das redes.

O gol abalou completamente o Vitória. A equipe passou a errar passes e domínios simples, demonstrando nervosismo, e sequer conseguia ultrapassar a linha do meio-campo. Quando tudo indicava que a noite caminhava para um roteiro desastroso, surgiu uma luz aos 17 minutos. Lucas Arcanjo fez uma ligação direta para Renê, que partiria livre em direção ao gol, mas acabou agarrado por Ronald. Como era o último homem, o defensor recebeu cartão vermelho direto.

Com um jogador a mais, Jair Ventura reagiu rapidamente. Sacou Edenílson e colocou Renato Kayzer para deixar o time mais ofensivo. A superioridade numérica fez o Vitória controlar a posse de bola e passar mais tempo no campo de ataque, mas a equipe continuava ansiosa. Os erros técnicos persistiam e, apesar do domínio territorial, as chances de perigo simplesmente não apareciam.

Mesmo sem grande volume ofensivo, o Leão da Barra encontrou o empate aos 38 minutos em uma cobrança de pênalti. Após escanteio na segunda trave, Renato Kayzer tentou desviar a bola para o centro da área, mas ela bateu no braço de Brítez. Depois da revisão do VAR, a penalidade foi assinalada. Na cobrança, o próprio camisa 79 assumiu a responsabilidade e bateu firme, rasteiro, no canto direito de João Ricardo para deixar tudo igual.

O empate deu novo fôlego ao Vitória, que passou a acreditar ainda mais na virada. O Fortaleza se viu encurralado dentro da própria área, abusando da famosa administração de resultado, também conhecida por alguns como cera. O problema é que, quando se oferece espaço para jogadores talentosos, o castigo costuma vir. E veio.

Mesmo sem criar uma enxurrada de oportunidades, o Leão da Barra mostrou eficiência para virar o jogo em um lance de pura qualidade. Tarzia recebeu de costas para o gol na entrada da área, girou sobre a marcação e acertou um chutaço no ângulo, sem qualquer chance de defesa.

Nos longos acréscimos, que empurraram a partida até os 55 minutos do segundo tempo, o Vitória administrou a vantagem e teve o cuidado de não permitir uma reação do Fortaleza. Se tivesse caprichado um pouco mais nos contra-ataques, talvez até pudesse ampliar o placar. Ainda assim, o resultado foi excelente. O Leão da Barra volta para Salvador com uma vantagem importante e em ótima situação para decidir o título diante de sua torcida.

FICHA TÉCNICA

Fortaleza 1×2 Vitória – Jogo de ida da final da Copa do Nordeste

Fortaleza: João Ricardo; Brítez, Luan Freitas (Ronald) e Lucas Gazal; Rodriguinho, Lucas Sasha, Rodrigo Santos, Pochettino (Gabriel Fuentes) e Mucuri; Vitinho (Ryan) e Luiz Fernando. Técnico: Thiago Carpini.

Vitória: Lucas Arcanjo; Edenilson (Renato Kayzer), Cacá, Luan Cândido e Ramon (Ronald); Caíque (Jamerson), Zé Vitor e Martínez (Tarzia); Matheuzinho, Erick e Renê. Técnico: Jair Ventura.

Local: Arena Castelão, em Fortaleza

Gols: Vitinho, aos 9 minutos, (Fortaleza), Renato Kayzer, aos 38, e Diego Tarzia, aos 48 (Vitória), do 2° tempo

Cartões amarelos: Brítez, Lucas Sasha e Ryan (Fortaleza) / Martínez, Renato Kayzer, Cacá (Vitória)

Cartão vermelho: Ronald (Fortaleza)

Árbitro: Afro Rocha de Carvalho Filho (PB)

Assistentes: Schumacher Gomes Marques (PB) e Luís Filipe Gonçalves Correa (PB)

VAR: José Ricardo Vasconcellos Laranjeira (AL)

Fonte: Correios24horas
Imagem: Victor Ferreira/ECV
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