A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã deve elevar os custos do setor petroquímico brasileiro e pode afetar investimentos na área, segundo avaliação divulgada nesta terça-feira (3) pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
Em nota, a entidade afirmou que, apesar de não haver interrupção direta no fornecimento de produtos químicos ao Brasil até o momento, os efeitos já são sentidos de forma indireta.
“Embora não haja, no momento, ruptura operacional nas cadeias de suprimento de produtos químicos que atendem ao Brasil, o impacto ocorre principalmente por vias indiretas e sistêmicas — energia, fertilizantes, petroquímicos básicos e câmbio”, afirmou a entidade em comunicado à imprensa.
Alta do petróleo pressiona a nafta
A Abiquim destacou que a escalada do petróleo encarece a nafta importada, insumo essencial para a produção de eteno e propeno, matérias-primas utilizadas na fabricação de plásticos e outros derivados.
“Caso o Brent suba US$ 20, o custo variável dos petroquímicos aumenta de forma relevante, podendo reduzir o spread petroquímico entre 10% e 25%, dependendo das condições de mercado”, disse a Abiquim.
Nesta terça-feira, o petróleo tipo Brent crude avançava cerca de 7%, sendo negociado a US$ 83,75 o barril por volta das 12h15 (horário de Brasília), após atingir US$ 85,12, maior nível desde julho de 2024. Já o West Texas Intermediate (WTI) subia 8%, cotado a US$ 76,92, depois de alcançar US$ 77,58, maior valor desde junho. Desde a sexta-feira (27), antes do início dos ataques, os contratos acumulam altas de 17% e 16%, respectivamente.
Fertilizantes e agronegócio no radar
A entidade também alertou para possíveis reflexos no agronegócio. O Irã é exportador relevante de ureia e amônia, enquanto o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome.
Segundo a Abiquim, eventual restrição nas exportações iranianas pode elevar o preço da ureia nitrogenada, afetando diretamente o setor agrícola e encarecendo insumos utilizados também pela própria indústria química.
Além disso, o país do Oriente Médio é grande exportador de metanol e intermediários como formaldeído, resinas termofixas, MTBE e ácido acético.
“Havendo restrição da oferta desses produtos, os preços globais tendem a subir, pressionando custos de produtores de resinas e especialidades no Brasil”, afirmou a Abiquim.
A avaliação reforça a preocupação de que a escalada do conflito no Oriente Médio produza efeitos em cadeia na economia brasileira, especialmente em setores dependentes de matérias-primas importadas e sensíveis às variações do petróleo e do câmbio.
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Foto: Pixabay/Divulgação



