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Em alta entre jovens, uso indiscriminada da tadalafila preocupa médicos e expõe falhas no controle

A famosa “tadala” não sai da prateleira de muitos brasileiros. O consumo de medicamentos para disfunção erétil se tornou algo banal nos últimos anos, seja para uma melhor performance na cama ou até como pré-treino em academias. Até goma de mascar com o slogan “mete bala” foi criada depois dessa popularização nas redes sociais.

Da cama para as academias

Assim com o também famoso viagra, a tadalafila tinha como público principal homens mais velhos, com idades mais propensas à disfunção erétil. Mas, com o hit nas redes sociais, ela chegou também aos jovens e a ambientes como academias. Como se não bastasse a ameaça para a saúde com o uso de bombas e hormônios por atletas, esses medicamentos também se tornaram vilões.

Tanto a tadalafila quanto o viagra se popularizaram agora como uma forma de ter mais energia para os treinos e mais músculos, sem nenhum tipo de comprovação científica de efeitos positivos. No final das contas, a única consequência comprovada é dos resultados negativos para o corpo, principalmente para a saúde cardiovascular.

Coração em risco

Por não exigir receita controlada nem retida, a prescrição médica acaba sendo vista apenas como detalhe bobo nessa onda de remédios para disfunção erétil. O cardiologista Maurício Nunes, no entanto, explica que o medicamento tem sim contra indicações e não deve ser ingerido com outras substâncias. “Devo chamar atenção para o uso de tadalafila com energético, álcool e cafeína, que pode provocar arritmia cardíaca. Se ele é jovem e está saudável, não há necessidade dele abusar de uma medicação que  não está acostumado”, alerta, em entrevista ao Jornal Metropole. Além disso, os riscos de infarto e morte súbita aumentam, o que é ignorado por quem acha o medicamento inofensivo.

Descontrole farmacêutico

As vendas da substância quase que triplicaram em 3 anos no Brasil, de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Cerca de 47,2 milhões de caixas foram vendidas em 2024. Como se não bastasse, influenciadores e pessoas que não são profissionais da saúde descobrem formas de lucrar com o consumo irresponsável de estimulantes.

Na última semana, a gummy “Metbala” foi barrada pela agência por fabricar e comercializar as balas de goma com tadalafila sem autorização. Ou seja, a substância sai do controle farmacêutico, para não ter controle algum. Piadas na internet e músicas que tratam o uso indevido da tadalafila como algo interessante e motivo de orgulho entre os homens, incentivam os jovens a abusarem do medicamento sem necessidade, sob o risco de se tornarem impotentes diante de algo que ameace suas próprias vidas.

Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 22 de maio de 2025

Foto: Divulgação

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