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Conquista do Bahia reacende polêmica sobre quem é maior campeão do Nordeste; entenda disputa

Das terras de Luiz Gonzaga até as que Raul Seixas andou um dia, não há nenhuma equipe mais campeã que o Esporte Clube Bahia. O quinto título da Copa do Nordeste do Esquadrão, conquistado no último sábado (6), transformou o clube, de forma isolada, no maior vencedor da competição. Mas será mesmo? Do outro lado da cidade de Salvador, o Vitória se orgulha e reivindica o posto de primeiro pentacampeão do Nordestão e, por muito tempo, o único.

O Rubro-Negro tem quatro edições da atual Copa do Nordeste, 1997, 1999, 2003 e 2010. A torcida e o clube, no entanto, consideram o título de 1976 do Torneio José Américo de Almeida Filho – um campeonato que reuniu 12 equipes nordestinas e findou com a vitória do Vitória por 3 a 0 em cima do América de Natal – como a primeira conquista. Apesar disso, a competição não é considerada oficialmente como uma Copa do Nordeste.

O “asterisco” do Torneio José Américo

A reivindicação do Vitória foi, inclusive, relembrada na comemoração Tricolor do último sábado (6). Em um post das redes sociais, o Bahia alfinetou: “Esquadrão atropela na final, impõe 9 a 1 no placar agregado e se isola em número de títulos da Copa do Nordeste, agora com cinco oficiais e sem asterisco. Penta único”. O “asterisco” citado é como muitos torcedores se referem ao título do Torneio José Américo de Almeida Filho.

Oficial ou não? As disputas que marcam o futebol brasileiro

O peso do “oficial” no Brasil é questionável e, muitas vezes, ignorado pela paixão fervente dos torcedores. Não faltam, no futebol brasileiro, outros exemplos de clubes que reivindicam títulos não reconhecidos oficialmente. Um dos casos famosos é a Copa Rio de 1951, considerada pelo Palmeiras como o primeiro título mundial. A Fifa até reconhece a conquista, mas não considera a Copa Rio como um Mundial.

Há também a polêmica em torno do campeão brasileiro de 1987, quando o regulamento previa um cruzamento entre o campeão e vice da Copa União e o campeão e vice do Módulo Amarelo (que era visto na época como segunda divisão). Contrário à regra, junto a outros 12 clubes da competição, o Flamengo, campeão da União, levou W.O na semifinal, e a final foi vencida pelo Sport. Os dois times chegaram a disputar o título no Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu o título para o Leão. A Fifa, no entanto, já estampou em seu site que o Flamengo tem oito títulos brasileiros, o que deve levar em conta 1987.

Bahia também entra na controvérsia

Até 2010, a Taça Brasil, conquistada pelo Bahia em 1959, contra o Santos de Pelé, não era considerada um Campeonato Brasileiro oficialmente, pois o atual Campeonato Brasileiro iniciou apenas no ano de 1971. Isto não impediu, por mais de 50 anos, o Esquadrão de se considerar o primeiro campeão brasileiro da história.

Tanto na Copa Rio de 1951 quanto na Taça Brasil de 1959, Palmeiras e Bahia foram reverenciados por jornais da época como, respectivamente, campeões nacional e mundial, apesar de só um deles ter reconhecimento oficial para tal hoje.

Zona Norte-Nordeste: argumento tricolor para o “octa”

Se por um lado, o Vitória se considera pentacampeão do Nordeste por um título de expressão regional anterior à Copa do Nordeste; por outro, torcedores do Bahia retrucam e resgatam a “Zona Norte-Nordeste”, que foi uma competição regional classificatória para a Taça Brasil, vencido pelo Tricolor em três edições, para sustentar o posto de maior campeão do Nordeste, com oito títulos. “Se o Vitória é penta, o Bahia é octa”.

Uma coisa é fato: a discussão não vai terminar até uma das duas equipes conquistar um possível sexto título.

*Metro1

Foto: Letícia Martins/EC Bahia

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