O Brasil registrou 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025, segundo dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde. A maioria dos casos foi registrada no Sudeste e no Nordeste, que juntos são responsáveis por mais de 83% das notificações.
O levantamento aponta que o aracnídeo foi responsável por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos (serpentes, aranhas, lagartas, escorpiões e abelhas) registrados no período. Embora a maioria das ocorrências seja leve (89%), as crianças são a população mais vulnerável: dos 265 óbitos registrados em decorrência do envenenamento, mais de 20% envolveram menores de 10 anos.
Os índices revelam ainda que pessoas autodeclaradas pardas foram as vítimas em 55% dos casos e em 62% das mortes, refletindo as desigualdades que atingem esse público. Segundo dados do Painel Cor ou Raça no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,8% da população parda e 16,1% da população preta vivem em favelas e comunidades urbanas. Esse fator é relevante porque a ausência de infraestrutura é um dos pontos determinantes para a proliferação de escorpiões no meio urbano, zona que concentra mais de 66% dos acidentes.
A maioria dos casos graves de envenenamento foram causados pelo escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). Um dos principais motivos é sua fácil capacidade de adaptação a ambientes antropizados (ou seja, que foram significativamente alterados pela ação humana). Outro detalhe é que as fêmeas da espécie conseguem se reproduzir sozinhas, sem necessidade de acasalamento com um macho, por conta de um fenômeno conhecido como partenogênese — o que faz com que o animal se dissemine mais rapidamente.
Públicos mais afetados
No ano passado, 51% das notificações envolveram pessoas do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Entre as faixas etárias, destacam-se os adultos entre 20 e 29 anos, que somaram quase 34 mil registros ao longo do ano passado.
As partes do corpo mais atingidas foram a mão e os dedos (41,26%), seguidos pelas pernas, pés e dedos dos pés (36,9%). Geralmente, os acidentes ocorrem durante a execução de atividades domésticas ou o manuseio de objetos em quintais e depósitos.
Regiões com maior incidência
O Sudeste e o Nordeste registraram forte concentração dos casos, que juntos são responsáveis por mais de 83% das notificações. Levando em conta os números absolutos, São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional, com 50.178 e 42.635 notificações, respectivamente.
No entanto, o maior impacto proporcional é em Alagoas, onde o coeficiente de incidência ultrapassa os 440 acidentes por 100 mil habitantes — parte desse número pode ser atribuída à ampla presença do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus) na área.
*metro1
Foto: Canva imagens



