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Feminicídios com armas de fogo crescem 52% em 2025 e escancaram impacto do racismo estrutural

O aumento de 52% nos casos de feminicídio e tentativas de feminicídio cometidos com armas de fogo em 2025 no Brasil evidencia não apenas o avanço da violência de gênero, mas também os efeitos diretos do racismo estrutural sobre a vida das mulheres negras no país. A avaliação é da Organização Iniciativa Negra (IN), com base em dados do Instituto Fogo Cruzado.

O levantamento identificou ao menos 50 mulheres cis e trans vítimas desse tipo de violência nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém ao longo do ano. Embora os dados não apresentem recorte racial individual das vítimas, a IN ressalta que os crimes ocorreram majoritariamente em periferias urbanas, territórios historicamente marcados pela predominância da população negra, pela ausência de políticas públicas de proteção social e pela intensa circulação de armas de fogo.

Para a diretora executiva da Iniciativa Negra, Carol Santos, os números revelam uma relação direta entre violência armada e racismo estrutural. “As mulheres negras estão mais expostas porque vivem, em sua maioria, em territórios onde o Estado se faz presente pela via da arma, e não pelo cuidado e pela proteção”, afirma.

Os dados do Instituto Fogo Cruzado indicam ainda que, em 2025, a cada quatro feminicídios cometidos com arma de fogo, um teve como autor um agente de segurança pública. Ao todo, 12 casos desse tipo foram registrados no ano, superando os oito ocorridos em 2024. Para a Iniciativa Negra, o dado agrava a leitura racial da violência. “O mesmo Estado que deveria proteger é aquele que, em alguns casos, ameaça e mata. Essa contradição pesa de forma ainda mais dura sobre mulheres negras, que historicamente têm menos acesso à justiça e à proteção institucional”, avalia Carol.

Casos registrados nas capitais Salvador, Rio de Janeiro, Recife e Belém reforçam um padrão de violência letal dentro de relações íntimas, frequentemente praticada por parceiros ou ex-companheiros, com o uso de armas de fogo. Para a organização, o cenário evidencia a interseção entre machismo, racismo e políticas de armamento.

A pesquisadora Ana Rosário, do Relatório Elas Vivem, da Rede de Observatórios da Segurança, destaca que o feminicídio armado é resultado de um conjunto de fatores estruturais. “Não se trata de episódios isolados, mas de uma política que naturaliza a circulação de armas, negligencia a proteção às mulheres e ignora que o racismo define quem mais morre e quem mais sofre violência no país”, afirma.

A Iniciativa Negra defende que o enfrentamento ao feminicídio incorpore de forma central o recorte racial, com políticas públicas que articulem controle de armas, fortalecimento da rede de proteção às mulheres e ações direcionadas aos territórios mais vulnerabilizados. “Sem enfrentar o racismo estrutural, qualquer política de combate ao feminicídio será insuficiente. Proteger a vida das mulheres negras precisa ser prioridade”, conclui Ana Rosário.

*Metro1

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

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