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Estudantes baianas criam pomada cicatrizante com folha de mandioca para uso veterinário

Cuidar da saúde dos animais, sejam de estimação ou voltados para a produção, pode gerar custos elevados, especialmente com tratamentos para ferimentos e doenças de pele. Atentas às dificuldades enfrentadas por pequenos produtores rurais da sua comunidade, duas estudantes do Colégio Estadual de Rio do Antônio, Tauany da Silva e Joseanne Santos, desenvolveram, com orientação da professora Renata de Souza, uma pomada cicatrizante feita a partir da folha da mandioca. A iniciativa surge em um mercado que, em 2024, segundo o Instituto Pet Brasil, movimentou cerca de R$ 7,8 bilhões em produtos veterinários.

A estudante Tauany conta que a ideia surgiu como uma forma de oferecer uma alternativa de tratamento mais acessível para produtores e cuidadores de animais da sua região. “O município de Rio do Antônio, assim como muitos outros em áreas rurais, não tem acesso fácil a veterinários nem a medicamentos de qualidade. Isso afeta diretamente o cuidado com os animais, principalmente no tratamento de feridas e machucados, comuns em gado, porcos e até mesmo cães e cavalos. Vimos, então, a oportunidade de usar uma planta que fosse acessível, eficiente e que tivesse propriedades curativas comprovadas”.

A matéria-prima principal escolhida pela equipe foi a folha da mandioca.

“A folha possui propriedades eficazes quando se trata de cicatrização. Ela contém antioxidantes naturais, como os flavonoides, que aceleram o processo de regeneração da pele, e possui compostos antimicrobianos que ajudam a evitar infecções. Além da folha da mandioca, nosso produto é composto por outros ingredientes, como a babosa, que tem efeitos calmantes e anti-inflamatórios; o mastruz, com propriedades antibacterianas e antifúngicas; o barbatimão, com substâncias cicatrizantes; e a banha de porco, que atua como uma base oleosa e facilita a aplicação da pomada”, explica a jovem cientista.

A pomada, batizada de Cicatriveck, tem apoio da Secretaria da Educação (SEC), por meio do NTE 13, e já foi testada em animais.

“A pomada demonstrou grande eficácia no processo de cicatrização, reduzindo inflamações e acelerando a regeneração da pele. Os resultados mostraram que ela pode ser uma solução mais acessível e fácil de aplicar para os produtores da nossa região. O próximo passo é realmente expandir a produção, levando a Cicatriveck para um público mais amplo de pequenos produtores. Queremos dar entrada no processo de regularização da patente. Além disso, também estamos abertos a parcerias com outras entidades”, projeta Joseanne.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) estreou no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail ascom@secti.ba.gov.br.

*bahia.ba
Foto: Ascom/SECTI
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