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Com virada histórica no segundo turno, Lula é reeleito presidente da República

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), com um feito histórico ao conquistar um quarto mandato pelo voto popular. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi confirmada pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97,69% das seções eleitorais já haviam sido totalizadas. Naquele momento, Lula tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do adversário.

Aos 80 anos, às vésperas de completar 81, Lula se torna o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto direto. O novo mandato representa mais um capítulo de uma trajetória política iniciada há mais de duas décadas, quando chegou pela primeira vez ao Palácio do Planalto, em 2002.

Virada histórica

A reeleição também é marcada pela inversão do resultado do primeiro turno. Na primeira etapa da disputa, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula somou aproximadamente 45%. No segundo turno, o petista conseguiu reverter a diferença e assumir a liderança na reta final da apuração.

A campanha do segundo turno foi marcada por intensa mobilização política, com ações nas ruas e forte presença nas redes sociais. A disputa permaneceu acirrada até a reta final, antes de o sistema eleitoral apontar a vitória matemática de Lula. Com o resultado, Lula permanecerá por mais quatro anos no Palácio do Planalto. Somados os dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, ao atual período iniciado em 2023, o novo governo ampliará a marca de Lula como um dos personagens centrais da política brasileira do século 21.

A confirmação da vitória ocorreu ainda durante a totalização dos votos. Mesmo com parte das seções restantes em processamento, a vantagem acumulada pelo petista já tornava matematicamente impossível a ultrapassagem por Flávio Bolsonaro.

Abstenção cai

A participação dos eleitores aumentou de forma expressiva neste domingo. Cerca de 3 milhões de pessoas que haviam deixado de votar na 1º turno compareceram às urnas nesta rodada, fazendo a abstenção recuar para um dos menores patamares das últimas duas décadas.

Com 99,89% das urnas apuradas, 19,21% do eleitorado não havia comparecido. O índice representa uma queda de 1,87 ponto percentual em relação ao primeiro turno, quando 21,08% dos eleitores se abstiveram. O número de ausentes neste domingo ficou em aproximadamente 30,4 milhões.

Menos votos inválidos

Além da redução da abstenção, o segundo turno registrou uma queda nos votos brancos e nulos. Juntos, eles representaram 3,23% dos votos, abaixo dos 4,77% registrados na primeira etapa. Os números apontam para uma participação mais concentrada na escolha entre os dois candidatos que chegaram ao segundo turno. Como votos brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos, a redução também ampliou o universo de eleitores que efetivamente escolheram Lula ou Flávio Bolsonaro.

Tensões ao longo do dia

O domingo eleitoral também foi marcado por denúncias relacionadas ao transporte público. O setor de inteligência do Ministério da Justiça identificou problemas na circulação de ônibus em municípios de estados como Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro.

Em Salvador, eleitores relataram demora, ônibus lotados e redução da oferta de coletivos. A situação levou a medidas da Justiça Eleitoral, incluindo uma determinação de prisão em flagrante contra o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Em São Paulo, também houve relatos de longas esperas e dificuldades para chegar aos locais de votação.

Outras ocorrências envolveram o transporte por barcos. No setor aéreo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou cancelamentos de voos com destino ao Nordeste, mas informou que não havia identificado anormalidade no fluxo aéreo.

Votação é estendida

Diante das dificuldades relatadas em diferentes localidades, houve pedidos para ampliar o horário de votação. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a extensão do período, posteriormente acompanhada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques. A votação, que originalmente terminaria às 17h, foi estendida até as 19h. A decisão, porém, ocorreu próxima do horário previsto para o encerramento, quando algumas seções já haviam encerrado os trabalhos, o que limitou a aplicação prática da medida em determinados locais.

Virada na reta final

A maior participação eleitoral ocorreu em meio a uma disputa acirrada entre Lula e Flávio. No primeiro turno, o candidato do PL terminou à frente, com aproximadamente 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com cerca de 45%. No segundo turno, o cenário se inverteu. Lula conseguiu ampliar sua votação e terminou a disputa na frente, impulsionado principalmente pelo desempenho em Minas Gerais e no Nordeste.

A diferença também mudou de maneira significativa: depois de terminar o primeiro turno cerca de 2,2 milhões de votos atrás de Flávio, Lula abriu vantagem próxima de 5 milhões na segunda etapa. A virada ganhou ainda mais peso por ocorrer após uma primeira rodada em que o petista havia ficado atrás. Desde a redemocratização, em 1989, não havia registro de um candidato que terminasse o primeiro turno em segundo lugar e conseguisse vencer a eleição presidencial no segundo.

 

Por: Daniela Gonzalez / Metro1

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