A Fiocruz Bahia realizou pesquisas ao longo dos últimos dez anos no Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) e os dados indicam que a participação no Programa Bolsa Família está associada a melhorias significativas nos indicadores de saúde da população em situação de vulnerabilidade. Entre os resultados observados estão a redução da mortalidade materna e infantil, além da diminuição de casos de doenças infecciosas e de internações ligadas a transtornos mentais.
Um dos achados mais relevantes diz respeito à saúde de gestantes e crianças. De acordo com os estudos, mulheres beneficiadas pelo programa apresentaram risco até 31% menor de morrer por complicações relacionadas à gestação, ao parto ou ao pós-parto em comparação com aquelas que não recebiam o auxílio. Os pesquisadores atribuem parte desse resultado ao maior acesso ao pré-natal e aos serviços de saúde incentivados pelas exigências do programa.
Os impactos também foram identificados nos primeiros anos de vida. Em uma análise envolvendo mais de quatro milhões de nascimentos, as gestantes atendidas pelo Bolsa Família registraram menor probabilidade de ter filhos com baixo peso ao nascer. O efeito foi ainda mais expressivo entre mulheres pretas e indígenas. Os levantamentos também apontaram redução nos partos prematuros e queda de 16% na mortalidade de crianças com menos de cinco anos entre famílias contempladas.
Os benefícios alcançaram ainda o enfrentamento de doenças relacionadas às condições de pobreza. No caso da tuberculose, os participantes do programa apresentaram incidência 41% menor da enfermidade e redução de 31% no risco de morte após o diagnóstico. Entre a população indígena, a diminuição da mortalidade foi ainda mais acentuada. Resultados semelhantes foram observados em relação ao HIV/Aids, com menores índices de infecção e óbitos entre os grupos mais vulneráveis acompanhados pelos pesquisadores.
Os estudos também registraram avanços no combate à hanseníase, com redução de casos em municípios de alta transmissão e aumento das taxas de adesão ao tratamento e de cura entre os beneficiários. Na área da saúde mental, uma das pesquisas identificou que a taxa de suicídio foi 56% menor entre pessoas atendidas pelo programa. Além disso, houve diminuição das internações por transtornos psiquiátricos e por problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas, especialmente em localidades com elevados índices de pobreza.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores cruzaram informações do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) com dados sobre nascimentos, hospitalizações, notificações de doenças e registros de óbitos. O objetivo foi avaliar os impactos da transferência de renda sobre a saúde das populações mais vulneráveis do país.
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Foto: Divulgação/Agência Governo Federal



