A gestão da Hidrovia do Rio São Francisco ficará sob responsabilidade da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) pelos próximos 25 anos. O convênio assinado nesta quarta-feira (4), em Brasília, entre o Governo da Bahia e o Ministério de Portos e Aeroportos transfere à companhia a administração, operação, manutenção e recuperação da estrutura, com a expectativa de ampliar o transporte de cargas pelo rio e facilitar o escoamento da produção regional.
A mudança busca preparar o corredor fluvial para a retomada da navegação comercial. Na prática, a Codeba passa a coordenar os serviços necessários para manter a hidrovia em condições de funcionamento, incluindo a Eclusa de Sobradinho e instalações portuárias de pequeno porte previstas no acordo. O governador Jerônimo Rodrigues afirmou que a expectativa é iniciar as intervenções a partir do segundo semestre de 2027.
Apesar de ser conhecida principalmente como um dos principais rios do país, a estrutura hidroviária do São Francisco funciona como uma rota de transporte. O trecho considerado nos estudos de reativação possui 1.371 quilômetros navegáveis, ligando Pirapora, em Minas Gerais, ao polo de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Por esse caminho, embarcações podem transportar mercadorias entre regiões produtoras e centros de distribuição.
A Eclusa de Sobradinho também integra o projeto. Localizada junto à barragem da usina, a estrutura permite que embarcações transponham diferenças no nível da água, viabilizando a passagem entre trechos do rio.
Movimentação comercial
Estudos apresentados pela Infra S.A. à Codeba apontam potencial de movimentação de até 5 milhões de toneladas de cargas no primeiro ano de operação comercial. Entre os produtos identificados estão soja, milho, algodão, gipsita e calcário agrícola, além de mercadorias ligadas à mineração e à produção de ração animal. A estimativa, no entanto, é uma projeção e depende da preparação da infraestrutura e da viabilidade das operações.
A proposta é que o transporte fluvial funcione integrado a outros modais, como rodovias e ferrovias, ampliando as alternativas logísticas para produtores do interior. A navegação poderá beneficiar atividades agrícolas e industriais, mas a retomada efetiva das operações comerciais ainda depende das intervenções previstas e das condições de segurança e navegabilidade.
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Foto: Eduardo Aiache/GOVBA



