Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Anvisa debate regras para produção de cannabis medicinal no Brasil nesta quarta-feira

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reúne nesta quarta-feira (28) para discutir a definição de regras específicas para a produção de cannabis medicinal no Brasil. O encontro está marcado para as 9h30, na sede da agência, em Brasília.

Na pauta, os diretores vão analisar a revisão da Resolução nº 327/2019, que atualmente regula o acesso a produtos à base de cannabis no país. A iniciativa atende a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de novembro de 2024, que determinou a regulamentação do plantio da cannabis, desde que voltado exclusivamente para fins medicinais e farmacológicos.

No início da semana, a Anvisa apresentou três propostas distintas de resolução, que tratam da produção da cannabis medicinal, da realização de pesquisas científicas com a planta e da atuação de associações de pacientes.

Em entrevista coletiva, o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou o crescimento expressivo da demanda por produtos à base de cannabis na última década. Segundo ele, esse avanço tem sido registrado principalmente pelo aumento das importações individuais. Entre 2015 e 2025, foram concedidas mais de 660 mil autorizações para importação desses produtos.

Safatle informou ainda que, atualmente, há 49 produtos à base de cannabis autorizados pela Anvisa, fabricados por 24 empresas e disponíveis em farmácias, além de cerca de 500 decisões judiciais que permitem o plantio por pessoas físicas ou jurídicas. Ele também ressaltou que cinco estados brasileiros já contam com leis que autorizam o cultivo de cannabis medicinal.

As propostas em análise restringem a produção da cannabis a pessoas jurídicas e exigem inspeção sanitária prévia. Entre os requisitos de segurança estão o monitoramento das áreas de cultivo por câmeras 24 horas e o georreferenciamento das plantações. A autorização será limitada a produtos com teor de tetrahidrocanabinol (THC) igual ou inferior a 0,3%.

As normas também preveem a possibilidade de produção sem fins lucrativos por associações de pacientes. A proposta é avaliar a viabilidade da produção em pequena escala, fora do modelo industrial, por meio de chamamento público.

Durante a apresentação das propostas, o diretor da Anvisa Thiago Campos ressaltou o rigor técnico adotado na elaboração das resoluções, além do alinhamento com a decisão do STJ e com diretrizes de organismos internacionais. Segundo ele, as medidas atendem aos requisitos de controle internacional e às condições estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes.

As propostas serão analisadas pelo colegiado da Anvisa. Caso sejam aprovadas, as resoluções entram em vigor na data de publicação e terão validade inicial de seis meses.

Em novembro de 2024, o STJ decidiu que a Lei de Drogas não se aplica a espécies de cannabis com concentrações muito baixas de THC, substância responsável pelos efeitos entorpecentes da planta. Na ocasião, os ministros autorizaram uma empresa a importar sementes de cannabis com baixo teor de THC e alto teor de canabidiol (CBD), composto sem efeito psicoativo e com uso medicinal.

Para viabilizar o cumprimento da decisão, o tribunal determinou a regulamentação da importação de sementes, do cultivo, da industrialização e da comercialização de espécies de cannabis com concentração de THC inferior a 0,3%.

O prazo inicial de seis meses para a definição das regras venceu em setembro de 2025, mas foi prorrogado em novembro do mesmo ano, após solicitação da Advocacia-Geral da União (AGU). Após a prorrogação, a Anvisa informou ter iniciado as ações necessárias para cumprir a determinação, incluindo a coleta de contribuições da sociedade civil e a elaboração de documentos técnicos e da minuta do ato regulatório.

De acordo com a Anvisa, mais de 670 mil pessoas utilizam atualmente produtos à base de cannabis no Brasil, com acesso predominantemente garantido por decisões judiciais. Desde 2022, o Ministério da Saúde atendeu cerca de 820 decisões judiciais para a oferta desse tipo de tratamento. Ainda segundo a agência, diversas associações obtiveram autorização na Justiça para a produção de cannabis exclusivamente para uso medicinal, mesmo antes da regulamentação nacional.

*Metro1

Foto: lovingimages/ Pixabay

Facebook
Twitter
LinkedIn
X
WhatsApp
Telegram

Mais Notícias

BC comunica exposição de dados de 28 mil chaves Pix

Um total de 28.203 chaves Pix de clientes da Pefisa S.A. tiveram dados vazados, informou nesta sexta-feira (20) o Banco Central (BC). Esse foi o terceiro incidente com o Pix em 2026 e o 23º desde o lançamento do sistema instantâneo de pagamentos, em novembro de 2020. Segundo o BC,

Leia mais »