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Anvisa aprova primeiro tratamento oral para câncer de mama

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (22), o Inluriyo (imlunestranto), primeiro tratamento oral do país voltado para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático do tipo receptor de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo, com mutação no gene ESR1, que já tenham sido submetidas à terapia endócrina.

Segundo a farmacêutica Lilly, responsável pelo medicamento, o remédio atua bloqueando e promovendo a degradação dos receptores de estrogênio alterados, mecanismo associado à resistência às terapias hormonais tradicionais e à progressão da doença.

Mutação está ligada à resistência ao tratamento

As alterações no gene ESR1 são raras nos estágios iniciais do câncer de mama, mas podem surgir ao longo do tratamento hormonal. Em pacientes com câncer metastático que já passaram por pelo menos uma linha de terapia endócrina, a mutação pode estar presente em até metade dos casos de resistência ao tratamento.

De acordo com pesquisadores, essas alterações fazem com que os receptores de estrogênio permaneçam ativos mesmo sem a presença do hormônio, favorecendo o avanço do tumor.

Estudo apontou redução do risco de progressão

Dados do estudo de fase 3 Ember-3 mostraram que o Inluriyo reduziu em 38% o risco de progressão da doença ou morte em comparação com a terapia endócrina padrão.

Entre os pacientes com mutação ESR1, a sobrevida livre de progressão alcançou uma mediana de 5,5 meses, contra 3,8 meses observados com os tratamentos convencionais.

“A oncologia mamária vem avançando com terapias-alvo guiadas por biomarcadores — uma expansão que nos aproxima de um tratamento verdadeiramente individualizado, oferecendo nova esperança e uma ferramenta terapêutica crucial para pacientes que vivem com câncer de mama metastático ER+, HER2– com mutação ESR1”, afirmou o diretor médico da Lilly do Brasil, Luiz André Magno.

“Este medicamento oral representa uma abordagem inovadora e conveniente para uma condição desafiadora, com potencial de melhorar significativamente os resultados dos pacientes e sua qualidade de vida”, acrescentou.

Reações adversas foram leves na maioria dos casos

Segundo a empresa, o medicamento apresentou perfil de segurança favorável no estudo clínico. As reações adversas mais frequentes foram diarreia, náusea, anemia e fadiga, em sua maioria de intensidade leve a moderada.

A taxa de interrupção do tratamento por eventos adversos foi de 4,3%, indicando, segundo os pesquisadores, um balanço positivo entre riscos e benefícios.

*metro1

Foto: Divulgação/Canva Imagens Pro

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