A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento Gazyva (obinutuzumabe) no tratamento de adultos com lúpus ativo moderado a grave. A indicação vale para pacientes que apresentam autoanticorpos, proteínas que atacam o próprio organismo, e que já recebem o tratamento padrão contra a doença.
O medicamento é um anticorpo monoclonal humanizado que atua na eliminação prolongada dos linfócitos B, células do sistema imunológico envolvidas no desenvolvimento do lúpus. Segundo a Anvisa, a nova indicação pode ajudar a reduzir a atividade da doença, diminuir as crises e permitir menor uso prolongado de corticosteroides.
O lúpus é uma doença autoimune crônica que ocorre quando o sistema de defesa ataca tecidos saudáveis do corpo. A inflamação pode atingir diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, sangue, cérebro e outros componentes do sistema nervoso. Apesar dos tratamentos disponíveis, parte dos pacientes continua apresentando sintomas e crises recorrentes.
Riscos e complicações do lúpus
O Ministério da Saúde alerta que, sem controle adequado, a doença pode provocar danos graves e até levar à morte. Entre as principais complicações estão:
- Rins: inflamação e perda da função renal, além de inchaço e alterações na saúde geral.
- Cérebro: dores de cabeça, confusão mental, mudanças de comportamento, convulsões e acidente vascular cerebral (AVC).
- Sangue e vasos sanguíneos: anemia, maior risco de sangramentos e inflamação dos vasos.
- Pulmões: inflamação da membrana que reveste os pulmões e o tórax, causando dor ao respirar.
- Coração: inflamação dos músculos cardíacos e das artérias, com possibilidade de complicações cardiovasculares.
A Anvisa destacou que alguns pacientes continuam com a doença ativa mesmo usando terapias convencionais ou biológicas. Nesses casos, crises frequentes e dependência prolongada de corticosteroides podem dificultar o controle do quadro e aumentar o risco de efeitos colaterais. A nova indicação do obinutuzumabe amplia as opções de tratamento para adultos que atendem aos critérios estabelecidos pela agência.
O acompanhamento médico é fundamental para controlar o lúpus, identificar possíveis complicações e definir o tratamento mais adequado para cada paciente. A escolha do medicamento depende das características da doença e da resposta às terapias utilizadas.
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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil



